MATAS CILIARES DO VALE

Um dos temas mais debatidos entre as ações de recuperação da bacia hidrográfica do Sinos é a questão da recuperação das matas ciliares. Este é um dos temas mais importantes dentro do planejamento de um território. Mas também é um dos assuntos mais polêmicos devido à dificuldade de compreensão da importância destas formações naturais para a conservação da biodiversidade e para o equilíbrio da disponibilidade de água numa região. Mesmo a academia tem dedicado pouca importância ao tema das matas ciliares tendendo a incluí-la como parte das formações naturais de uma região e pouco estudando sua especificidade.

Mas elas são muito importantes pois formam um ecossistema de transição entre as áreas secas e os cursos d’água. Está posição estratégica confere uma série de atributos que são muito importantes no equilíbrio ambiental de uma região. É por isto que elas são protegidas por lei pelo código florestal brasileiro, uma das mais importantes e inteligentes leis para a conservação da natureza do país. O Código Florestal define distâncias a serem preservadas conforme a largura do rio. Rios de até dez metros de largura devem preservar trinta metros de formações naturais ao longo de cada margem. Entre dez e cinqüenta metros de largura a área a ser protegida é de cinqüenta metros em cada margem do rio. À medida que cresce a largura crescem, também, as distâncias até atingir 500 metros para rios de mais 600 metros de largura.

Este território protegido é muito importante. Em primeiro lugar as matas ciliares contribuem na conservação do solo evitando o arrasaste de terras para o fundo dos rios. Com isto controlando efeitos da erosão e evitando o assoreamento das calhas dos rios. As matas ribeirinhas contribuem para fornecer alimento para os animais do rio na forma de frutas e insetos. É abrigo de muitas formas vivas e servem de corredores de fauna entre grandes unidades de conservação. Com isto contribuindo para a proteção da biodiversidade. Muitos destes animais são importantes consumidores de pragas agrícolas. Além disto a presença de matas é importante para a agricultura como quebra ventos e reguladora de microclimas.

Seu potente sistema radicular serve como um grande filtro de nutrientes. O que ajuda a proteger a pureza das águas. Também ajudam na infiltração da água no solo. Com isto influindo na regulação da vazão dos rios e diminuindo enchentes e amenizando secas além de garantirem a proteção de nascentes. Todos estes serviços são importantes para a atividade econômica de uma região, quer seja ela de base agrícola ou industrial.

A presença de matas contribui para reduzir o efeito estufa, um dos grandes males de nosso tempo. Além disto elas são um dos elementos definidores da modelagem de uma paisagem e também contribuem na formação da cultura de um povo. Foram as matas ciliares a primeira impressão dos nossos migrantes alemães.

Segundo dados do projeto Monalisa, temos cerca de 1200 quilômetros de cursos d’água na região. Destes 190 km no curso principal. Tomando com referência uma média 50 metros de largura no curso principal e de 10 nos cursos secundários podemos calcular quanto de matas poderíamos ter ao longo dos nossos rios. No curso principal seriam 10 hectares a cada quilômetro de rio. Nos cursos menores seriam 6 hectares a cada quilômetro. O que daria algo entorno de 7900 hectares de florestas protegidas na região. Estimando 1100 árvores por hectares teríamos 8,7 milhões de árvores.

Sabemos que na parte alta das encostas há muita margem de rio com florestas. Mas nas partes baixas tem muita área a ser recuperada. Um trabalho de fôlego que deve ser começado com uma boa ação de educação ambiental para minar as resistências que a recuperação das matas ciliares encontra. O Comitesinos, com seu projeto verdesinos vem desenvovendo esta tarefa coma ajauda de muitos parceiros interessados no assunto.

Certamente a recuperação das matas ciliares vai fazer o nosso rio bem melhor e vai contribuir muito para a qualidade de vida na região e nos deixar melhor preparados para eventos extremos como as estiagens que tem se tornado freqüentes na região.

Arno Kayser

Agrônomo, Ecologista e Escritor

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