O CESTO MÁGICO

Era uma vez, num país muito distante daqui, uma menina. Em sua terra fazia muito frio no inverno. Tempo em que as árvores não frutificavam. De modo que no início da primavera todos estavam loucos por frutas fresquinhas.

Nossa estória começa justamente com nossa amiga saindo de casa com o cesto de vime de sua avó. Ia colher framboesas nos arbustos da floresta. O dia estava lindo e os raios de sol faziam cócegas gostosas no rosto da gente.

Depois de andar um bom trecho nossa amiga chegou aos pés de framboesas. De pronto começou a colher. E colheu, colheu, colheu e colheu. E quanto mais colhia, mais o cesto, que era mágico, crescia e fazia mais espaço para as frutinhas. A gula da menina era tanta que ao cabo de algum tempo ela pelou todos os pés das framboesas. O cesto mágico havia ficado enorme e a menina, coitada, não conseguia mais carrega-lo de volta pra casa. Sem saber o que fazer sentou no chão e começou a chorar de mansinho.

Naquela região viviam ainda muitos ursos. Estes animais passam o inverno dormindo em grandes cavernas e na primavera acordam loucos de fome. Não muito longe dali mamãe ursa e seu filhote passaram o primeiro inverno da vida do pequeno. O sol os acordara e eles saíram à cata do que comer. Sentiram o cheiro das framboesas e foram investigar. Foi o filhote urso que chegou à frente e encontrou a menina chorando. Curioso tocou-a com seu nariz molhado.

A menina levou o maior susto, mas o ursinho era tão bonitinho que ela lhe ofereceu algumas das framboesas que colhera. O ursinho começou a comer vorazmente e seu apetite alegrou a menina que começou a lhe dar uma boa quantidade de frutas.

Nisto chegou à mamãe ursa. A menina levou um susto ao ver aquele animal tão grande. Mas o olhar dela era de uma mãe bondosa para alguém gentil com seu rebento. Em pouco tempo mamãe ursa e o filhote comeram uma boa parte das framboesas e o cesto mágico encolheu. Mas não o suficiente para as forças da menina erguê-lo. Vendo isto mamãe ursa tomou o cesto com sua boca forte e ajudou a menina no caminho de volta para casa.

Ao chegar, a menina contou toda a estória para sua mãe. Esta sorriu ao ver que a filha tinha aprendido a repartir o alimento com os animais da natureza e com isto conquistar seu carinho e amizade. Os bichos da floresta têm direito à vida e se tornam grandes amigos se soubermos dividir com eles o alimento que a natureza nos dá.

Eles ficaram tão amigos que naquela noite o ursinho aceitou o convite para dormir com a menina. Seu nariz molhado fez muitas cócegas na barriga da menina até ela cair no sono de cansaço.

No dia seguinte, bem cedo, o sol veio tirá-la do sono e ela acordou abraçada ao seu ursinho de pelúcia. Da cozinha vinha um cheiro doce.

Arno Kayser

Agrônomo, Ecologista e Escritor

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