O CATADOR DE LIXO E A NOVA ERA DA HUMANIDADE

 

Houve um tempo na história da Humanidade em que todos eram coletores. Isto foi antes da civilização, da invenção da agricultura e da escrita. Os registros que temos da vida destas pessoas são na maior parte encontrados nos depósitos de restos destas coletas. Um tempo em que a humanidade estava em contato mais direto com a natureza. Isto tanto para o bem como para o mal que ela podia trazer àquelas vidas.

Nos dias de hoje quem reproduz este tipo de vida são os catadores de lixo. Eles andam por aí juntando restos espalhados por nós para buscar neles sua sobrevivência. Alguns vendendo o que for reciclável. Outros, em casos mais graves, comendo o que a gente mais favorecida pós fora.

Há diferentes graus de organização destes trabalhadores. Os mais conscientes estão organizados em cooperativas. A maior parte ainda trabalha sozinho e acaba explorado por atravessadores de sucatas para quem vende suas coletas.

Os catadores hoje têm um movimento nacional reconhecido enfrentando poderosas empresas que operam no setor de forma tecnificada e não os veem com bons olhos.

É fundamental a população ajudar estes caras que são grandes agentes ambientais. Podemos separar o lixo. Podemos cobrar das autoridades ações em prol da coleta seletiva e de apoio à organização dos catadores. Também podemos nos aproximar deles levando não só o lixo, mas também apoio e estímulo na busca de autonomia deste movimento social que hoje se manifesta em vários cantos do planeta.

Ele, de certo modo, já é um marco de uma nova era na história da humanidade. Uma espécie de retorno àquela integração primitiva, dos tempos dos coletores, com a natureza. Isto porque a inserção neste universo de tratamento do lixo com participação social nos reconecta com uma das maiores leis que comandam a vida na Terra. A eterna ciclagem de matéria e energia.

Processo que tem que se expandir com a maior urgência. Do contrário só restara aos arqueólogos do futuro, como os de hoje, pesquisar nos montes de lixo que ficarem da nossa civilização para saber como nós vivemos.

Participar deste processo é se unir a milhões de pessoas que trabalham por um mundo mais limpo, com mais distribuição de renda e mais sintonia com o cosmo que nos envolve.

 

Arno Kayser

Agrônomo, Ecologista e Escritor

Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: