O MARCO GAÚCHO DAS ÁGUAS

Na localidade do Tabuleiro da Meia Lua, no alto da Coxilha do Batovi as três Regiões Hidrográficas do Estado do Rio Grande do Sul se tocam. Num espaço de poucas centenas de metros há nascentes de arroios que correm para formar o Vacacaí da Região Hidrográfica do Guaíba; do Santa Maria da Região Hidrográfica do Uruguai; e o Camaquã da Região Hidrográfica do Litoral.

É a única região do Estado em que isto ocorre. Por isto ali foi instalado um Marco em granito rosa para demarcar esta singularidade geográfica. É o Marco Gaúcho das Águas. Monumento idealizado pelo saudoso Eng. Zeno Simon que sempre chamava a atenção para este fato que já era conhecido pelos Jesuítas no século XVIII.

O Marco em si é bem simples. Um calçamento de paralelepípedos de quatro metros quadrados tem no centro uma coluna de pedra tri facetada. Uma face voltada para a sua respectiva Região. Pouco mais que um metro e meio de altura. Nas pedras estão gravadas algumas informações geográficas, o nome de políticos da época da inauguração e uma justa referência ao idealizador.

Situada na estrada que liga Bagé à São Gabriel próximo do acesso de Lavras do Sul e Ibaré. O local é no meio do campo nativo. Mas próximo já sinais de algumas mudanças que ameaçam a paisagem da Pampa como um cultivo de Eucalipto e lavouras de soja.

Próximo, como que guardando o monumento Quero-queros, cabeças de gado e grandes lagartos além de muitas formigas lava-pé.

É um pouco difícil de achar o local. Mesmo muitos dos moradores desconhecem o local. Mas perguntando um pouco se chega à porteira que dá acesso a uma trilha no campo.

O Marco, que é o símbolo dos Comitês de Bacia Gaúchos, ironicamente, se encontra pouco cuidado pela mão humana. Não há placas de sinalização que conduzam à ele e sua ponta superior está quebrada.

O símbolo de uma política de gestão que em 2014 completa vinte anos de sua criação pela lei 10350 representa bem a situação do Sistema Estadual de Recursos Hídricos.

Como o Marco, o sistema, que inspirou a legislação federal de forma marcante, se encontra incompleto e ainda desconhecido da maioria dos habitantes do Estado.

Arno Kayser
Agrônomo, Ecologista e Escritor
Presidente do Comitesinos

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