CONDIÇÕES PARA CRESCER

Inteligência e tesão são as condições fundamentais para um processo de crescimento e desenvolvimento libertador do indivíduo e da sociedade.

Toda sociedade autoritária é fruto da projeção de um sentimento de impotência coletiva numa força religio-militarista aparentemente forte e potente que é aceita de forma passiva e da ignorância e falta de visão crítica da realidade.

A tesão é a força criativa e integradora que leva o indivíduo a vivências de autosuperação que desenvolvem nele a fé na sua capacidade realizadora e no seu potencial de amar e ser amado. É o impulso que o liberta da passividade e move o corpo na busca do autoconhecimento e da construção de uma visão clara da realidade.

Processo para o qual é imprescindível uma inteligência ativa e dinâmica. Só ela é capaz de transcender a mera memorização e trabalhar intensamente com os frutos da experiência cotidiana e as informações na construção de uma visão atenta da realidade.

Sem a inteligência, a tesão reduz o homem a uma condição de escravo dos desejos e apetites. Sem tesão, a inteligência se reduz a malabarismos monótonos e sem graça das experiências alheias mescladas com o que fica do bombardeio de informações dos nossos dias.

Ambas são forças complementares e instrumentos fundamentais na formação de um ser consciente e integrado. Um verdadeiro agente social em busca da felicidade individual e coletiva que sabe que sua busca encontra limites e frustrações numa sociedade que cultua a força e difunde a ignorância e a miséria como instrumentos de subjugação coletiva.

Os exércitos e os dogmas religiosos não são mais que o fruto do medo típico de quem não interage afetivamente com o mundo e o outro. São a materialização de milhões de frustrações existenciais geradas no isolamento e nos preconceitos.

Barreiras que só a inteligência e a tesão conseguirão romper tanto no espaço individual como no plano coletivo através de experiências de autosuperação e de interação criativa com a realidade cotidiana.

Sem a experiência afetiva o indivíduo se brutaliza e se isola, passando a reproduzir comportamentos pré determinados por todo um aparato que visa a padronização, a apatia e o consumo passivo. Sem a inteligência o indivíduo converte-se num papagaio que expressa apenas o que lhe impingem como dogmas e se encastela num autoconfinamento gerado pelo medo e ignorância. Processo que é a mãe de toda violência que campeia neste mundo.

Muitos dos argumentos que justificam o aparato bélico e o sectarismo religioso vêm deste medo e desta atrofia das qualidades mais nobres do ser humano. A verdadeira religiosidade é a da vivência e da renovação cotidiana da sabedoria que a experiência humana acumulou. Processo que só acontece com o desarmamento e abertura de todas as fronteiras. A força bruta só se justifica como instrumento de nosso preconceito e como base de subjugação de tudo que qualificamos como inferior. Coisas que, na verdade, pouco conhecimento temos por não interagirmos criativamente com elas.

A força só é sabiamente usada como instrumento de autodefesa. Fora disto é instrumento de destruição e subjugação. Coisas que tem que ser superadas através de uma constante busca no sentido da fraternidade, do amor e da paz. Caminho que tem que ser percorrido por cada um e cuja interrupção da jornada, na verdade, só pode ser barrada pela gente mesmo.

Mas com inteligência e tesão este desafio se torna alcançável. E o melhor é que todos ganham com a vitória sobre os medos e preconceitos, pois se passa a colaborar muito mais livremente num processo coletivo de evolução.

Evolução que esta fundamentada num processo de construção de uma sociedade em que haja muito mais respeito e oportunidade de manifestação da vida em todas as suas formas.

Sem o emprego da inteligência e da tesão não há possibilidade disto acontecer e todo progresso será materialização de estruturas repressivas que cada vez mais alienarão a humanidade de seu verdadeiro destino: ser a consciência deste belo planeta.

Arno Kayser

Agrônomo, Ecologista e Escritor

A publicação deste artigo gerou protestos de um sacerdote luterano quando publicado em junho de 1992, na coluna de ecologia mantida pelo autor no Jornal NH de Novo Hamburgo. A direção do jornal, em plena semana da ECO 92, optou por demitir o colunista por conta deste fato.

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