Entrevista para o Jornalista Gustavo Fritzen do Portal de notícias novohamburgo.org. referente ao Dia Mundial do Meio Ambiente de 2013

 

1) Primeiramente, o que é e quais são os objetivos do Movimento Roessler?

O Movimento Roessler é uma entidade ecológica, fundada em 1978. Seu nome homenageia o pioneiro desta luta no Vale do Sinos e uma dos pioneiros em todo o Brasil, Henrique Roessler. O objetivo principal do Movimento Roessler é a defesa do ambiente no Vale do Sinos. Para atingir esta meta ele tem várias iniciativas próprias e participa em Fóruns referentes ao tema na cidade e região. Para maiores detalhes do seu trabalho o leitor pode consultar o sitio na rede mundial de computadores http://www.roessler.org.br.

Para quem quiser conhecer e participar a entidade tem reuniões todas às segundas feiras às 20 horas na sua sede na Rua Santos Pedroso 470 sala 02. Elas são abertas ao público interessado.

2) Como o senhor avalia os cuidados que vem sendo dado ao meio ambiente, tanto por parte das prefeituras e outros órgãos públicos, como também por empresas e pela população?

Nossa civilização vive uma relação contraditória com o tema ambiental. Ninguém nega a sua importância, mas muita gente ainda não o considera prioritário na tomada de decisões pessoais e coletivas. Isto se reflete na gestão pública e privada. Uma parte da gestão das prefeituras atua bem na gestão do meio ambiente, mas muitas vezes outros setores da máquina pública têm objetivos que se sobrepõe e a questão ambiental não é considerada ou fica em segundo plano. Um exemplo típico é a prioridade para obras que viabilizem o uso do carro em oposição à prioridade para quem anda a pé, bicicleta ou transporte coletivo. Outro fato que mostra isto é que em geral o orçamento das prefeituras para meio ambiente bem é menor que outras secretarias. Além disto em governos de coalizão em geral a titularidade do órgão de meio ambiente fica com um partido menos importante da base ou serve como moeda de troca em negociações por apoio político. Um exemplo disto é a SEMA RS que em 13 anos teve mais de dez secretários diferentes. A maioria com cerca de doze a quinze meses de mandato.

Nas indústrias ainda a prioridade é para a lucratividade embora cada vez mais, por pressão da população e das ONGs, se implantem práticas e processos menos impactantes ao meio ambiente na produção.

A População está cada vez mais consciente quanto ao tema embora muita gente ainda jogue lixo nos locais inadequados e ache bom a sombra da árvore do terreno vizinho, mas corta no seu para não ter trabalho com a “sujeira” que cai dela. A maioria considera bom cuidar do meio ambiente, mas prefere que os outros,o poder público e as empresas comecem antes de participar do processo. Felizmente o número dos que fazem diferente vem aumentando em função da educação ambiental e das evidências cada vez maiores dos desequilíbrios ambientais que se percebe em todos os cantos do planeta.

3) Muitas cidades “optaram” por devastar sua flora para que pudessem“crescer” e “evoluir”. A consequência são frequentes enchentes e outros desastres naturais. Na sua opinião, o que precisa ser feito para mudar esta mentalidade e ao mesmo tempo evitar que isso aconteça?

Um grande trabalho de educação acompanhado de uma mudança de postura da população para cobrar dos gestores públicos ações em prol do meio ambiente. Também os agentes privados devem ser pressionados a buscar soluções ecologicamente sustentáveis para a produção de bens e serviços. A ocupação do solo deve levar em conta os aspectos ambientais. O planejamento através de mecanismos de gestão participava é fundamental para que isto ocorra trocando-se o mito do crescimento ilimitado pela ação sistêmica baseada nas leis da natureza e não na mera satisfação de necessidades de consumo ou disputa de poder que são as marcas da nossa civilização.

4) Como o senhor avalia a atual situação referente ao meio ambiente em Novo Hamburgo? Há algo que precise melhorar? O quê?

Novo Hamburgo teve por um ciclo de crescimento econômico muito rápido que passou sem distribuir com equidade a riqueza gerada. Por isto temos muitos problemas ambientais como lixo, esgotos, mega investimento imobiliários, ocupação em áreas de risco e áreas verdes com poucos cuidados. Estes problemas vêm sendo enfrentados porque a nossa população, especialmente os mais jovens passaram por uma grande ação de educação ambiental formal e informal capitaneada pelas escolas públicas e por ONGs ecologistas e sócio ambientais que tem apoiado e cobrado a construção de soluções. Já tivemos muitas vitórias como a criação do Parcão, do Comitesinos, da Central de tratamento de lixo, as feiras sem veneno de Lomba Grande e o fim das podas. Mas ainda temos que evoluir muito em tratamento de esgotos, priorização de transporte públicos não poluente, recuperação de matas ciliares e encostas, rearborização do centro (onde 80% das árvores sumiram ou estão doentes) e mais cuidado com áreas verdes. Também a evolução urbana tem que incorporar mais o paradigma ambiental ao invés de se pautar prioritariamente pela especulação imobiliária e a prioridade do uso de automóveis.

5) Qual a importância de educar uma criança desde cedo sobre a conscientização sobre o meio ambiente?

Na criança é fundamental desenvolver o afeto pelo meio ambiente para que ela passe a vida toda buscando conhecer e proteger a natureza na sua vida pessoal, profissional e política. Mas também não podemos deixar de educar os adultos no presente para que mudem sua atual relação com o meio ambiente senão as crianças de hoje não vão ter muito o que fazer para contornar o caos ambiental que já vemos se manifestar de muitas formas na nossa região e no mundo. A mídia tem um papel importante neste processo de manter a agenda ambiental sempre em pauta para que o tema não fique estrito somente a eventos em datas comemorativas, mas seja um foco de permanente debate no dia a dia de todos nós.

Arno Kayser é Agrônomo, ecologista e escritor.

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