UM EVENTO NA MADRUGADA

 

O nível de insegurança aumenta a cada vez mais! Um pequeno descuido já oportuniza o assalto. Para ilustrar trago aqui um caso pessoal.

Já de alguns tempos vínhamos notando os movimentos gulosos. Pequenos furtos no pátio. Vez que outra seu vulto era surpreendido, rondando a volta de casa, nalguma madrugada insone. Mas até então nada de grave. O sujeito sempre corria em fuga, quando surpreendido, nestas ocasiões.

Mas era nítida a sensação da espreita. Todas as noites seus olhos ávidos buscando um meio de tomar para si o que via dentro da casa.

Amarelas e belas formas eram o seu mais cobiçado objeto de desejo. Frutos do duro trabalho de sol a sol dos pacatos moradores.

Alta madrugada! Uma janela esquecida aberta, por descuido! A oportunidade de entrar, enfim! Mas a avidez do desejo, represada a tanto tempo, não permitiu o cuidado necessário ao sucesso da empreitada. Atrapalhado pela afoiteza e, excitado pela oportunidade, acabou tropeçando nas panelas sobre o fogão.

O ruído despertou-nos. Cinco da manhã! Alguém estranho dentro de casa! Um susto! Mas a reação foi rápida. Resolvemos aplicar o elemento surpresa que nos favorecia. Uma luz acesa de supetão paralisou o invasor. Ainda pendurada nos ferros da janela carregava, na boca, seu objeto de desejo quando foi surpreendido. Sua reação de fuga o encurralou contra o canto da parede. Estava mais assustado do que nós. Instintivamente evacuou pelos cantos enquanto tentava achar uma rota de fuga.

Antes que o prejuízo ao patrimônio fosse maior tivemos que colaborar com a fuga do indivíduo. Afinal ele estava correndo perto dos cristais da casa. Coisa muito fina. Herança da titia.

Abrimos caminho para a garagem. Dali ele poderia correr para o jardim. Alguns berros e o infeliz marsupial se foi sem gozar o fruto da sua ousada invasão.

Daqui para frente às janelas ficarão bem fechadas. Restarão somente os maracujás dos terrenos vizinhos. Mas o susto deve ter sido tão grande que é provável que, por um bom tempo, o gambá não ronde as nossas janelas.

Arno Kayser

Agrônomo ecologista e escritor

Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: