O ciclo da vida

Tai chi chuan

 

Círculo!

Limite entre

A fuga e a queda

 

Contam que o velho Lao Tsé, em um momento difícil da vida da antiga China, teve que se exilar num país do norte. Quando cruzava um grande rio na fronteira um barqueiro o reconheceu. Desesperado com a partida daquele que era a figura mais luminar de seu tempo pediu que ele deixasse algo para consolar o povo da grande perda.

Em atenção a este pedido comovido e sincero o “velho sábio” recitou o conjunto de preceitos do que viria a ser conhecido como o “Tao Te Ching”. Obra máxima do Taoísmo este livro rodou o mundo alimentando muitas gerações de buscadores da verdade como o fizeram todas as grandes obras da literatura religiosa mundial como a Bíblia, O Marabharatha e o Alcorão.

Como muitos outros grandes iluminados Lao Tsé aceitava seu exílio como algo natural na vida de quem busca a verdade. Natural como o dia segue a noite e o inverno é oposto do verão. Na vida tudo gira como a Terra ao redor de si e ao redor do Sol. Sabia ele que a saída era uma reação a sua ascensão como mestre de seu povo. Que era também um momento necessário em sua vida. Só procedendo assim é que o ritmo vital mantém seu equilíbrio e garante a sua perenidade.

Não é a toa que a arte marcial inspirada no Tao seja basicamente uma ginástica de formas circulares. O Tai Chi Chuan procura despertar no corpo e na alma a consciência de que tudo para ser perfeito deve circular ao redor de um centro.

Esta mesma consciência tinha o velho Haeckel ao propor o estudo da ecologia no século XIX. Observador da natureza percebeu por vias diferentes o que o sábio do oriente também compreendeu. Que na vida há um reciclo constante de matéria. Que tudo se transforma. Que a única coisa eterna é a mudança. Que a planta alimenta o herbívoro que é vítima do carnívoro. E que todos, ao morrerem, são digeridos pelos estômagos da terra que são os decompositores. Este processo equilibra as populações de seres vivos. Graças a isto a vida permanece em equilíbrio e o meio ambiente permanece sadio.

Infelizmente a maioria ainda ignora estas verdades que os grandes místicos e os grandes cientistas compreenderam e vem enunciando de diferentes formas ao longo dos séculos. Muitos, apegados a própria imagem e a tudo de terreno que julgam suas posses, vivem angustiados temendo a morte e se identificando de tal modo com sua história pessoal que ficam cegos ao fato de que também nós, um dia, serão reciclados. Que só restará de nós na terra aquilo que doamos aos nossos semelhantes. Todo o resto nos será tomado do mesmo jeito que nos foi dado.

A consciência desta finitude é a chave da perfeita ação. A ação que não busca nada para si. A ação do servidor da vida. Aquele que se dedica a tornar tudo ao seu redor mais perfeito pondo seu talento à serviço da existência.

Algo que Lao Tsé chamava de não ação do sábio que, no fundo, não é nada mais nada menos que a consciência que faz correr a gazela e o leão. Um porque sabe que se não fugir será vítima do leão e outro porque sabe que irá morrer de fome se não alcançar a gazela. Mais ou menos a mesma consciência que faz a Terra seguir girando ao redor do Sol. Se ela parar de girar cairá e se derreterá na imensa chama.

Por isto é sábio agradecer com o mesmo entusiasmo com que recebemos um alegria à tristeza. É sinal que estamos seguindo nosso caminho na vida. Muitas coisas maravilhosas aconteceram em momentos de sofrimento. É só lembrarmos do calvário de Jesus. Sem a provação ele jamais se tornaria Cristo.

Arno Kayser  – Agrônomo, Ecologista e Escritor

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