AS FLORESTAS DO VALE DO SINOS

 

Quem consultar o inventário florestal do Estado do Rio Grande do Sul vai verificar uma coisa bem interessante quanto a situação das nossas florestas nativas aqui no Vale do Sinos. Este estudo concluído em 2001 e publicado  em 2002 mostra que a nossa região tem o maior índice de cobertura florestal de todo o Estado. São cerca de 1 653 km2 de florestas. O que corresponde a quase 38 por cento de todo o território da bacia. O dado é muito significativo se consideramos que este índice de cobertura varia de 3 a 37 por cento nas demais bacias do estado.

 

As razões para este número são diversas mas as principais, certamente, são o abandono do campo pelos agricultores, o aumento da consciência ambiental na região e o incremento de áreas destinadas a preservação ambiental públicas e particulares.

 

Deste os tempos do velho Roessler que a situação das nossas florestas vem aumentando em função das causas acima, provando que a luta pela defesa das floresta vem crescendo na nossa região. O que é uma informação importante para a melhoria da qualidade de vida da nossa região, que tem uma forte pressão antrópica nas suas áreas urbanas e industriais. O que não quer dizer que o setor rural remanescente não tenha lá seus problemas ambientais também.

 

A floresta que está se recuperando é uma formação chamada de secundária pelos botânicas, haja visto o fato de que a vegetação original foi muito modificada pela colonização alemã e italiana, no passado, para uso agrícola da terra. Cientificamente ela é classificada como Floresta Estacional Semidecidual. A razão do nome se deve ao fato que parte das árvores perdem as folhas no inverno como defesa contra o frio. Fenômeno que pode ser observado bem na época fria do ano. Este comportamento é típico de florestas da faixa subtropical em função da sazonalidade do nosso clima que apresenta estações quentes e frias alternadas que influenciam o ciclo de vida das plantas.

 

O inventário florestal encontrou 143 espécies de árvores diferentes de 48 famílias botânicas. A média de árvores por hectares é de cerca de 950. Destacam-se o camboatá, a pitangueira, o chá de bugre, a aroeira brava, o angico,o marmeleiro do mato, o chal chal, a canela preta e a coronilha. Está formação natural faz parte da área de domínio da mata atlântica no país. Uma das regiões mais destruídas no processo de ocupação do território brasileiro. Por isto é importante sabermos que a mata está se recuperando na nossa região. Fato que tem viabilizado também a recuperação de uma série de espécies animais na região. Quem tem andado por aí nos últimos tempo já deve ter notado isto. Bugio e tucanos são dois exemplos de animais que vem ressurgindo mais recentemente. O que é uma satisfação para quem milita nas causas ambientais da região pois é uma prova de que nossa luta vale a pena e que a destruição não é um fato inevitável. Mas é óbvio que mais pessoas tem que se ligar no processo para que outras vitórias ambientais como esta venham a ocorrer na nossa região justificando a sua fama de pioneira na luta ambiental no país.

Arno Kayser

Agrônomo, Ecologista e Escritor

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