ECOLOGIA NO TERCEIRO MILÊNIO

 

Parece que foi ontem, mas já faz um bom tempo que passamos do ano 2001 e entramos no terceiro milênio da era cristã.

Uma passagem que exerceu um forte fascínio e provocou muitas reflexões no durante boa parte do século XX. Mesmo que nem todo o mundo siga o calendário gregoriano, a data mexeu com pessoas em todo o planeta. Muitas profecias giraram em torno desta data. Tanto cientificas quanto místicas.

Na ficção cientifica a data sempre foi associada a um tempo de progresso tecnológico incrível ao alcance de cada um. Todos os problemas humanos seriam resolvidos por fantásticas engenhocas. Já nas profecias místicas a virada marcaria o início de uma era de paz e harmonia e de integração entre todos os povos do planeta.

Muitos de nós crescemos ouvindo estás previsões e tivemos muito do nosso imaginário e atitudes condicionadas por elas. Mas se olhamos ao redor somos forçados a ver que no nosso mundo real as coisas não se resolveram, num passe de mágica, só porque o calendário alcançou os tempos profetizados. O passar dos tempos não é garantia de que elas acontecem por si só. A fraternidade entre os povos e a disponibilidade de soluções tecnológicas para todos ainda dependem de muito esforço e vontade ativa de todas as pessoas.

É importante percebermos isto e darmos nos conta de que o ideal de um mundo melhor, profetizado para os dias que vivemos, depende de uma ação coletiva movida por uma cosmovisão que aponte para um mundo de equilíbrio entre o místico e o tecnológico. Entre o sagrado e o profano. Um mundo em que a dimensão material e dimensão espiritual que nos caracterizam estejam em equilíbrio.

Hoje em dia vemos muita gente mergulhada em saídas vazias. Por um lado presas a ritos dogmáticos que levam a uma paralisia muito grande. Por outro lado gente mergulhada numa fuga de consumo de novas tecnologias inebriantes que cada vez as isolam de emoções reais e contato com semelhantes. E junto a tudo isto um universo imenso de pessoas condenadas a uma miséria degradante e desmoralizante inaceitável no grau de desenvolvimento a que chegamos aos nossos dias.

Para sairmos desta situação e nos aproximarmos mais do mundo profetizado para o terceiro milênio penso que só o ideal ecológico tem força para orientar esta transição.

Fenômeno recente na história da humanidade ele tem a capacidade de unir as dimensões materiais e espirituais porque prega o equilíbrio.

Inspirado nas antigas leis da natureza que, aos poucos, temos descobertos com a crise ambiental e cultural que passamos, ele me parece ter a força de ser uma referência para todos nós que temos a felicidade de adentrar-nos neste terceiro milênio. Isto porque a visão ecológica representa uma síntese produzida na interação com os conflitos dos nossos dias. Ele aponta para uma atitude pragmática de ação coletiva. Algo bem mais forte que um misticismo dogmático atado a símbolos vazios e sem alma ou a um culto ao tecnologismo que só caminha na construção de um mundo de privilégios alienantes para poucos.

Isto porque a ecologia prega uma ética que inclui não só a humanidade, mas pede um mundo em que todas as formas de vidas tenham seu espaço e direito à plenitude.

É nesta certeza que apelo aos meus amigos e leitores que seguiam neste novo milênio com práticas centradas no equilíbrio buscando a harmonia na sua ação com as grandes forças da natureza.

Arno Kayser

Agrônomo, Escritor e Ecologista

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