A REVOLTA DOS ÍNDIOS

 

A fiscalização tinha um longo roteiro a ser percorrido naquele dia. Uma denúncia na barranca do rio Uruguai e outro problema no centro de uma cidadezinha. Por asfalto, uma volta de mais de duzentos quilômetros.

Localizar o primeiro caso demorou muito mais tempo do que o imaginado. O segundo local tinha que ser visto ainda com luz do dia e já era metade da tarde. Consultando o mapa rodoviário viram que havia uma estrada de chão, entre os dois locais, que encurtavam o caminho em uns 100 quilômetros.   Resolveram tocar por ali mesmo. A estrada era esburacada e cheia de mato na volta. Cruzava uma reserva indígena. Na metade do caminho, logo depois de cruzarem uma ponte, depararam com um grande grupo de índios nos dois lados da estrada. Faziam sinais insistentes para que o carro parasse. A pressa, no entanto, era grande e não havia tempos para oferecer ajuda ou carona.

Com uma certa dose de pena eles tocaram adiante, deixando os índios para trás. Uma hora mais tarde alcançaram o local da segunda vistoria.

À noite, no telejornal, souberam que havia um conflito de liderança entre dois caciques em torno da chefia da comunidade. Até troca de tiros houvera. Sem vítimas, felizmente.

Mas o clima estava tenso na região. Uma equipe de negociação havia ficado presa pelos grupos em conflito. Pela descrição dos fatos viram que tinha sido alguns minutos depois de terem passado por aquele grupo na ponte.

Arno Kayser

Agrônomo, Ecologista e Escritor

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