EM DEFESA DOS RIOS BRASILEIROS

O Brasil é um país rico em águas superficiais doces. Cerca de 8 % delas correm sobre o território nacional. O que nos faz um país marcado por grande quantidade de rios.

Nossa história esta muito vinculada aos rios. Boa parte da ocupação do interior se deu através da navegação fluvial e assentamentos ribeirinhos.

A hidrografia brasileira era fundamental para os indígenas que habitava Pindorama. Tanto que muitos dos rios conservam a denominação dada pelos nativos da América. Nomes que buscavam descrever suas características naturais. Os nomes cristãos que substituíram algumas destas denominações originais estão vinculados a algum fato histórico ou alguma devoção dos primeiros colonizadores.

Se a descoberta do Brasil começou com a observação de um monte e a descida numa praia, a independência do país foi proclamada às margens de um rio.

Muitos ciclos econômicos do país se valeram da hidrografia como fonte d’água ou meio de transporte da produção.

Boa parte da história das identidades regionais está vinculada a eles. Mitos, lendas e feitos históricos estão relacionados aos rios e são marcas das culturas locais.

Nos rios que o povo vai buscar a água para as pessoas e criações e para as necessidades dos lares. Também são fontes de água para as plantações. Indústrias necessitam de águas dos rios para operar. Eles são vias de transporte e fonte de pesca. São fontes de areia para as construções. Além disto são o lar de centenas de criaturas aquáticas e ribeirinhas que marcam a paisagem de cada rincão do Brasil. Boa parte da energia vem de geradores movidos pelas águas. Os rios também são fonte de lazer para as pessoas.

Os rios são o destino de muitos dejetos humanos. Os esgotos, o lixo e os resíduos da indústria, os venenos e sedimentos das lavouras são trazidos pelas águas até eles. Muitas vezes sem um tratamento depurativo.

É neste ponto que se situa boa parte dos problemas. Muitos rios estão ameaçados por dejetos urbanos e agrícolas. Especialmente se correm em zonas com grande concentração industrial e urbana. Mas também nas zonas rurais há problemas como o desmatamento, a destruição de nascentes, a erosão, os resíduos da mineração e o uso de pesticidas.

As grandes obras de infraestruturas como barragens, projetos de irrigação e navegação alteram os rios modificando as características naturais e deslocando contingentes de população.

Estes fatos são conseqüências da ocupação do território. Os usos dos rios dele decorrentes trazem muitos benefícios às populações. Mas está cada vez mais evidente que há muitas ocorrências negativas que se refletem na quantidade e qualidade das águas dos rios que precisam ser tratadas sob pena de neutralizarem os aspectos positivos do uso destes mesmos rios.

Por isto é fundamental que a população se mobilize para cuidar dos rios. Seja protegendo os trechos mais saudáveis, seja recuperando as regiões que estão degradadas.

A melhor forma de se fazer isto é através de ações integradas entre o poder público, a população e os agentes econômicos que usam os rios para algum fim produtivo.

A legislação brasileira prevê que este trabalho seja coordenado por comitês de bacia apoiados por agências das águas.

Os comitês são colegiados paritários onde o poder público, organizações da comunidade e dos agentes econômicos (os dois últimos grupos eleitos) sente-se para definir os usos desejados dos rios e o nível de qualidade de suas águas. A partir daí traçar planos de bacia que definam obras e ações voltadas a proteção e recuperação dos rios no interesse de todos.

Estes planos serão executados pelas agências com verbas oriundas da cobrança do uso das águas por agentes econômicos.

Em alguns lugares do país este trabalho já começou. Noutros ainda é uma novidade completa.

Mas para que eles avancem é preciso que os vínculos da população com os rios sejam fortalecidos e cultivados. O que é uma grande trabalho de educação. Todos podem se envolver procurando conhecer o seu rio.

Cuidar deles é uma forma de amar o país. É cuidar de nossos irmãos e irmãs humanos e não humanos desta e das futuras gerações.

Arno Kayser

Agrônomo, ecologista e escritor.

Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Comentários

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: