EFEITO ESTUFA X ENERGIA ATÔMICA

Já de um bom tempo temos promovido debates nas reuniões do Movimento Roessler. São momentos em que se trata de um aprofundamento de um assunto em voga na pauta ambiental. Em função da viagem de nosso presidente, Tiago Genehr, à Inglaterra, para um curso na Schumacher College o tema do Efeito Estufa voltou à nossa reunião.

Tudo por que, na viagem, Tiago teve oportunidade de ouvir os mais recentes debates sobre o assunto. O Jornal “The Independence” publicou uma entrevista com o cientista James Lovelook, criador da teoria de Gaia, defendendo o uso da energia atômica para diminuir a dependência de fontes de energia fóssil. Segundo ele a energia atômica tem sua matriz tecnológica dominada e é uma fonte que não emite carbono e garante um bom volume de energia por um longo tempo. Em seu depoimento ele faz um apelo aos amigos ecologistas para que revisem seu radicalismo em relação à resistência à energia nuclear.

Todavia a maioria do movimento ecológico, muito embora o grande respeito pelo grande cientista, continua contrários a está idéia.  Em nossa opinião a idéia é igual a do cara que propôs importar víboras para controlar uma peste de ratos. Funcionar funciona, mas trás riscos que antes não se tinha.

Nunca é demais lembrar que por trás da energia atômica está o lobby militar que sonha com o combustível das bombas nucleares. Além disto, há o risco dos acidentes nas usinas com conseqüências imprevisíveis. Isto sem falar no que fazer com o lixo atômico. Há alguns anos havia um projeto de fazer um grande deposito de lixo atômico no sul da Argentina. Nos EUA há um projeto que atingiu terras indígenas. Nos últimos tempos temos visto que alguns defensores da energia atômica no Brasil têm voltado à carga

Pensamos que o caminho vai pela redução das emissões. Também temos que plantar cada vez mais árvores. Temos que deixar o mato crescer e recuperar áreas degradadas. O uso do sol e dos ventos também é possível. O aproveitamento da energia eólica tem tecnologia dominada para geração de eletricidade para a rede doméstica. Temos as possibilidades do álcool e do biodiesel que já são bem desenvolvidas no nosso país. Uma idéia mais radical ainda seria promover grandes plantios de biomassa e enterra-las em minas abandonadas para retirar o CO2 emitido pelo carvão em termoelétricas. Já temos termoelétricas queimando casca de arroz.

Fora desta linha temos a possibilidade de fazer mais caminhadas, andar de bicicleta, ônibus ou trem. Ainda podemos oferecer mais caronas. Práticas que também trazem melhoras na vida de todos e contribuem para a sociabilização das pessoas.

Pensamos que a solução deve vir por aí e não com grandes pacotes de tecnologias que já mostraram os seus riscos.

Arno Kayser -Agrônomo, Ecologista e Escritor

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