A História Natural do Chagdud Gonpa

Há 700 milhões de anos atrás houve uma grande cordilheira, tão alta como o Himalaia no território que é, hoje, o Rio Grande do Sul.  E, antes que falemos mais desta cordilheira, é preciso dizer algo sobre o Himalaia, berço do budismo titetano. Ele é fruto de choques de duas grandes placas continentais. A da Índia com a da Ásia.

O que antes era um fundo de mar se elevou a mais de oito mil metros de altitude. Mas, apesar de tão alto ele é, na essência, um fruto de um conflito da superfície do planeta. Atenção à imagem: um fruto dos conflitos da superfície do planeta.

Mas voltemos à anciã cordilheira que havia no sul. As forças erosivas, a longo de milhões de anos, a reduziram a quase nada. Pouco resta dela além dos morros graníticos de Porto Alegre e a Serra do Sudeste com seus pouco mais de 300 metros de altitude. Ela agora está, na maior parte do território gaúcho, enterrada muitos metros abaixo da superfície. Forma a base mais profunda do Vale dos Sinos e da Serra Geral.

Sobre este leito o Oceano Pacífico esteve muitos milhões de anos vindo do oeste quando África e América eram uma única Gondwana.

Mas tarde este oceano se foi e o que era mar, por mais de 250 milhões de anos, virou deserto. Um deserto maior que o grande Saara. Vejam a segunda imagem: Um grande deserto.

Deserto que gerou as rochas areníticas que dominam partes baixas do Vale do Sinos. Deserto que, a 130 milhões de anos, foi sacudido por grandes terremotos que abriram grandes fendas no chão. Fendas por onde o fogo do centro da Terra subiu numa explosão calma de lava que feito um mingau quente se espalhou por cima do deserto e de quebra separou África e América gerando o jovem Oceano Atlântico.

Esta lava, que carrega em sua origem o mesmo fogo primordial da hora em que o planeta nasceu, se converteu no basalto. É o basalto, a popular pedra ferro, que forma a base natural sobre a qual se assenta o Chagdud Gonpa. O mesmo ferro da espada mongol que Chagdud Tulku Rinpoche entortou quando da conversão do povo mongol.

Ela que, quando quente, cobriu o deserto, agora se manifesta fria e sólida. Origem do solo sobre o qual se encontram as três grandes florestas do continente. Uma caminhado pela costa atlântica. Outra vindo pelo interior do continente acompanhando as margens dos grandes rios desde a Amazônia até aqui. Ambas se encontram na parte baixa e ficam, dali expiando a mata da Araucária que veio do sul e reina nas partes onde o frio impede a manifestação da tropicalidade. Florestas que sugerem as várias correntes humanas que se encontram neste loção de bases tão sólidas.

É neste ponto de contato que se instalou o Chagdud Gonpa. É este o terreno que se preparou a 700 milhões de anos para a vinda do sábio do oriente que o iniciou e o orienta.

É por causa de sua natureza tão especial que ele é o local para a missão de Chagdud Tulku Rinpoche acontecer no ocidente como parte do novo salto do budismo tibetano previsto para depois do vôo dos pássaros de ferro.

Arno Kayser

Agrônomo, Ecologista e Escritor

Adaptado do texto lido ao senhor Chagdud Tulku Rinpoche, a título de introdução da apresentação de proposta de plano diretor do Chagdud Gonpa, por equipe interdisciplinar liderada pelo Arquiteto Marcel Gusmão em 25/07/1995 (Dia do Colono)

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