A Feira do Livro 2011 de Novo Hamburgo

“Cultura é fazer o pão cantando com a janela aberta”

Esta frase abria o manifesto  cultural da candidatura de Milton e Luísa à Prefeitura de Novo Hamburgo em 1992.

Quase vinte anos depois esta  idéia se materializa na Feira do Livro de Novo Hamburgo de 2011.

Um evento que homenageia a  literatura, esta herdeira da tradição oral. Fenômeno que começa na aurora da  humanidade, quando as pessoas contavam histórias ao redor do fogo em seus  acampamentos. Processo que começou a lançar os alicerces da condição de ser  cultural que nos faz humanos.

Com o advento da escrita e a  posterior invenção do livro esta tradição alcançou uma condição nunca antes  imaginada. As idéias começaram a circular por todo o mundo propiciando trocas de experiências até então impossíveis.

A feira é um rito celebrativo a esta invenção: o livro. Ele que é uma espécie de oceano para onde fluem os rios  de todas as experiências humanas. Oceano onde elas permanecem disponíveis a se  reconverter numa chuva de inspiração capaz de irrigar novos ciclos culturais da aventura cultural humana.

Ao homenagear um escritor que tem  na questão ecológica a marca de sua obra a Feira destaca uma tradição de literatura  gaúcha que começa com Balduíno Rambo e Henrique Roessler e atingiu seu apogeu  com José Lutzenberger em “o Fim do Futuro”, o Manifesto Ecológico Brasileiro.

Escrever sobre este tema tem sido uma forma de contribuir para a grande transformação cultural que significa viver em harmonia com a natureza. Algo que a humanidade anda meio esquecida e  que os primeiros contadores de história pareciam saber fazer melhor.

Um evento cultural reconhecer esta literatura mostra que a região do Vale do Sinos esta atenta para a importância deste caráter transformador da questão ecológica nos dias atuais.

Também mostra que este tema é capaz de inspirar uma grande instalação artística que integra o Centro de Cultura da cidade a mais arborizada de suas praças, criando um espaço de interação pautado pelo amor aos vários sabores da literatura.

Animados pelo cozinheiro Rodolfo Habichuela milhares de pessoas puderam ver o esplendor da literatura manifesta em tantas formas. Cinema, teatro, música integrados num ambiente alegre onde uma cuca colonial e um chope artesanal alimentavam os encontros em torno de bate papos animando mentes inspiradas pelo encontro de uma dupla inseparável: o escritor e o leitor.

O primeiro só surge nos olhos do segundo numa relação dialética. Afinal todo escritor, antes de tudo, é um leitor. Já todo leitor tem em si o potencial de escrever. Processo que se retroalimenta em oportunidades como a Feira do Livro.

Evento fundamental em qualquer proposta política que queira fazer do mundo um lugar justo onde as idéias possam ser ditas com liberdade e não falte o pão e todas as necessidades básicas para todas as formas de vida no planeta.

A vida quer sempre florescer e se renovar. A feira do livro de Novo Hamburgo de 2011 foi uma prova de que com muito afinco e imaginação é possível realizar o sonho de uma vida plena de gozo e criar uma convivência saudável entre pessoas de todas as gerações e pensamentos.

Só tenho a agradecer a todos pela felicidade de reinar, por alguns dias, como patrono deste evento.

Arno Kayser

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