A HISTORIA GEOLÓGICA do RIO GRANDE – breve histórico resumido

Na fronteira entre o Brasil e o extremo sul das Américas! No encontro das massas de ar frias e quentes! Na mistura do Português e do Castelhano! Bem ali esta o Rio Grande do Sul.

Meio de tropical, meio andino.  Planalto e Planície! Montanha e Mar! Rocha e areia! Terra de contrastes moldada pelo tempo e pelas gentes de muitos lugares!

Palco que vem sendo trabalhando pelas forças da natureza a milhões de anos. Primeiro veio o granito. Rocha matriz de antiga cordilheira. Mais alto que os Andes. Hoje reduzida aos tocos mais duros formando o Escudo Riograndense.

Depois as transgressões marinhas dos tempos que América e África eram uma só Gondwana. Águas vindas do leste alisando as partes baixas da Depressão Central. Sobre seus sedimentos vieram as areais do Deserto de Botucatu. Maior que o moderno Saara formou a Pampa e os arenitos do aqüífero Guarani, na base do  planalto.

Então o fogo do fundo do planeta quebrou ao meio o antigo continente.  Separando África e América, se derramou, feito creme de mingau fumegante, de leste para oeste. Formando o Planalto, os Campos de Cima da Serra, as Encostas da Serra com seus vales, as Missões e as Barrancas do Uruguai. Basalto forte como o ferro, matriz de solos férteis.

Por fim a areia branca da praia veio completar o desenho formando a Planície Costeira com suas dunas, banhados e lagoas.

Terra ocupadas primeiros por plantas de clima seco oriundo das planícies pampianas do sudoeste. Mais tarde, por florestas de clima frio, vindas dos Andes. Formas que ainda resistem nas partes mais secas e nas partes altas do território gaúcho.
Já nas veredas dos vales dominou a mata tropical que veio pela borda do Atlântico e pelos vales da Bacia Cisplatina.

Neste entrechoque de geologia e vegetação; de frios e de calor; de chuvas e secas vieram os animais selvagens. Desde os mamíferos até os insetos, passando por
aves, répteis e anfíbios. Cada qual, colonizando seu nicho, foram desenhando um palco extraordinário para o deleite e conquista de uma mescla de raças e
culturas humanas.

Forças que vieram dando o retoque final. Às vezes com exagero, às vezes sem força para se impor, noutras com equilíbrio e sensibilidade. Aos poucos foram construído algo que já não é mais só matéria bruta e sim quadro trabalhando. Mosaico de paisagens culturais que surgiram, conforme foram se estabelecendo, as etnias mater do povo gaúcho.

Primeiros  os índios pré-históricos, depois os indígenas contemporâneos. Seguiram os portugueses e espanhóis acompanhados do elemento negro africano. Mais tarde migrantes europeus culminando com os asiáticos.

Cada qual com seus temperos e saberes. Participantes de uma história de dificuldades e lutas, mas também de muita fé, amor, trabalho e alegria.

Arno Kayser

Agrônomo, Ecologista e Escritor

Especial para o audio visual Grande Rio Grande de Ita Kirsch e Bala Blauth

Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: