A BUSCA DO ELDORADO

A grande motivação dos conquistadores europeus que chegaram à América foi a busca de riquezas para serem exploradas e levadas ao velho mundo. Uma das mais conhecidas lendas deste tempo é a da busca do Eldorado. Uma cidade mítica situada em meio à selva onde tudo seria coberto de ouro.

Esta lenda movimentou aventureiros de várias partes do mundo. Armados até os dentes eles penetraram nas imensas florestas do continente em busca deste lugar fantástico.
Muitos morreram tentando. Outros desistiram e voltaram de mãos vazias. Uns poucos, mais afortunados, encontraram jazidas minerais que tinham que ser
escavadas para se revelarem. Os Espanhóis encontraram muita prata na conquista dos Incas. Mas a tal cidade dourada nunca foi achada.

A opção colonialista, então, foi a rapinagem do Pau Brasil seguida da implantação de grandes monoculturas para a exportação. Tivemos os ciclos da cana, do cacau, do café. Modelo que segue até nossos dias com a monocultura da soja.

O incrível é que a força do mito do eldorado foi tão forte que a maioria dos colonizadores não enxergaram a nossa maior riqueza: a biodiversidade. Tanto que boa parte dela foi posta abaixo, a ferro e a fogo, para a implementação do modelo colonialista de grandes lavouras e de criação de gado. Nem o ciclo da borracha
serviu para abrir-lhes os olhos e lançar as bases de um uso sustentável de nossas riquezas naturais. Quantas plantas exóticas como o Pinus e o capim anoni
foram introduzidas no país porque não aprendemos a manejar nossa fauna e flora de um modo que ela se perpetuasse.

Os indígenas, que poderiam ser nossos mestres no manejo desta riqueza, foram escravizados, mortos ou aculturados. Os poucos sábios ainda vivos tem recebido mais atenção de pesquisadores estrangeiros do que de pesquisadores brasileiros. Aliás no que só repetem a história do país. Os maiores descritores da nossa natureza foram, em grande parte, naturalistas estrangeiros.

Até hoje, quando os ecologistas defendem o uso sustentável de nossas riquezas, são taxados de inimigos do progresso pelos descendentes dos primeiros
conquistadores. Muita gente ainda vive, de certo modo,  envolto na mítica do eldorado buscando, em novas fronteiras, riquezas escondidas nalgum
lugar mágico. Gente que vê na nossa paisagem algo inútil e sem alma que pode ser destruído em nome da busca de riquezas.

Enquanto esta idéia não for modificada ainda veremos se perpetuar no país um modelo de economia voltado para o mercado externo. Uma fórmula que tem sido eficiente para gerar uma grande concentração de renda  e promover uma das maiores devastações naturais do planeta.

Arno Kayser

Agrônomo Ecologista e Escritor

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