A História do Peixe Dourado

Esta estória foi publicada pela editora Oikos. Veja com adquirir um exemplar no  site www.oikoseditora.com.br  

Era uma vez um peixe muito bonito. Seu corpo forte era coberto de escamas douradas. Quando saltava fora dágua elas brilhavam ao sol. Verdadeiro ídolo dos demais peixes do Rio.

Mas mesmo tão forte e belo ele tinha um medo.

Quando pequeno viverá numa nascente de águas límpidas e claras. Local aonde seus pais foram morar depois de muito viajar pelo mundo e viver um monte de aventura. Histórias fantásticas que fizeram a delícia de sua infância quando contadas ao pé do ouvido do peixinho pequenino que fora.

Como seus pais ele também descerá o riacho natal  em busca de aventura nos grande rios. Até bem perto do mar estivera. Mas mesmo todas estás andanças e as coisas extraordinárias que conhecera não conseguiram superar na memória as doces lembranças daqueles tempos de sua primeira infância. Seu sonho, como fora o de seus pais, era , um dia, voltar àquelas nascentes e ter seus filhotes também. Sonho que o deixava mais emocionado ainda quando lembrava de uma peixinha dourada , filha de um casal amigo, com quem brincará as mais divertidas horas de sua infância. A vida seria perfeita se, por ventura, pudesse encontra-la de novo e ter com ela os filhotes mais lindos do mundo. Lembrava que nas suas maluquices de criança chegaram a falar no assunto e prometeram se encontrar um dia.

Na época não levará a idéia muito a sério. Mas agora que o desejo de voltar crescia no seu peito cada vez mais pensava nela. Algo no seu íntimo lhe dizia que ela também sentia a mesma coisa. E por isto ele tinha que voltar àquele riacho pequeno lá no alto da montanha.

Sabia que a tarefa não era fácil. O percurso era longo e cheio de obstáculos. Pedras imensas, grandes cachoeiras, represas, animais e pescadores precisavam ser vencidos antes de chegar lá. Mas nada disto lhe metia medo. Era forte e ligeiro. O problema que o assustava era outro.

Neste tempo todo o velho rio sofrerá algumas mudanças. Homens maus jogaram um monte de sujeira nele. Lixo, esgoto e outras gosmas químicas deixaram ele bem estranho. Tinha medo que aquilo fosse minar suas  forças e ele não viesse a realizar seus sonhos mais amados.

Por isto estava nadando em busca de ajuda. Alguém que o ensinasse a vencer àquela sujeira toda que estragava o seu rio. Coisa tão forte que tirava o fôlego de todos os peixes que tentavam nadar nos pontos mais brabos. Sozinho era impossível vencer àquele mal que afetava o velho e bom rio. Mas ele tinha esperanças. Seu pai lhe contará que o problema não era de agora,. Vinha já de muito longe. Do tempo antigo em que os homens brancos do outro lado do mar correram com os índios do lugar. Isto foi no tempo em que viverá o avô de seu avô. Os índios eram bem legais. Gostavam do rio limpo para seus banhos diários e pra matar a sua sede. Mas muitos destes brancos não viam sentido nisto. Pareciam quer dominar o rio e usá-lo até o fim de sua capacidade. Cortavam a mata da beira para queimar e construir casas imensas. Armavam represas para roubar a energia das cachoeiras do rio. Enchiam a terra desmatada de plantas estranhas que irrigavam com a água do rio. Plantações que enchiam de veneno para conseguissem  crescer no lugar das plantas nativas. Deixavam a terra nua muito tempo e a chuva terminava por encher o rio desta terra pelada. Pareciam querer recolher até o último peixe dágua. Redes, armadilhas e até bombas foram usadas. E depois trouxeram todas àquelas fábricas que sujavam o rio e que atraiam  ainda mais gente pra beira. Ao invés de pequenas aldeias agora haviam grandes cidades que descarregavam muito lixo e esgoto nas águas. Tinha dias que o pobre rio não agüentava e os peixes tinham que fugir pra não morrerem de falta de ar ou pegarem doenças brabas. Pior é que esta gente parecia esquecer que precisavam do rio limpo. Pra beber de suas águas agora tinham que usar  filtros complicados e caros.

Mas ele sabia que havia esperança porque nem todos os homens brancos concordavam  com àquela história. Seu avô falara de um velho bondoso e corajoso que vivia  pra cima e pra baixo no rio. A pé ou de canoa ele vivia brigando contra está situação. Graças a ele outras pessoas começaram a enxergar  o trauma do rio e de seus peixes.

Era com estas pessoas que ele contava. Sabia por conversas com os bichos da terra firme e do ar que este povo vinha crescendo em número. Que eles vinham realizando encontros e procuravam  bolar maneiras   de recuperar as águas do rio para eles e para os bichos e plantas.

Por isto agora nadava rio acima. Ouvira dizer que um grupo grande deles estava pra se reunir nas margens do rio pra um grande mutirão de limpeza. E que muitas crianças estariam lá reunidas aprendendo os segredos da tarefa de recuperar a pureza das águas do rio. Árvores seriam plantadas, lixo recolhido e se fariam apelos pra tratamento das sujeiras e dos venenos. Com eles estariam todo tipo de gente. De soldados à professores. Sacerdotes e atletas. E muita gente que conhecia as manhas da tarefa. Muitos seres humanos preocupados com o rio e sua vida.

Queria encontra-los. Mostrar de alguma maneira que estava nesta. Que valia a pena a tarefa. Ser uma espécie de sinal de que a coisa toda valia a pena.

Estava pensando estas coisas todas enquanto  nadava a procura deste pessoal. Já estava um pouco tonto e meio fraco do cansaço quando a coisa aconteceu. De repente, meio que de surpresa deu de cara com eles em plena faina. Trabalhavam com afinco e dedicação. E eram muitos. Pareciam alegres e animados. Tanto que trabalhavam cantando e fazendo teatro. Gente disposta e decidida.

A sua visão lhe deu força nova. Nadou até bem perto da margem e, num rabanaço poderoso, saltou bem alto exibindo ao sol toda a beleza do seu brilho dourado. Tão alto foi que teve tempo de ouvir  bem claro o grande ‘’Oh!” de espanto e entusiasmo que seu feito provocará no ânimo daquela gente.

Mergulhou feliz na águas que já não pareciam mais tão sujas e seguiu nadando rio acima. E qual não foi sua alegria de, além de ver àquela gente animada, dar de cara com a sua amada na próxima curva do seu velho rio.

Mariluz/outubro de 1998- Casa do Vô Ernesto e da Vó Norma

(perto do dia da criança e de nossa senhora de aparecida)

Arno Kayser Agrônomo, Ecologista e Escritor

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Comentários

  • Mateus  On 03/06/2011 at 13:32

    ve la esse site

  • Lara  On 16/02/2012 at 16:11

    Adorei, Arno a publicação dessa história na íntegra. Para nós, professores, um bom e consistente texto infantil abre mil possibilidades de exploração. Obrigada! Abraços.

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