O nome do Rio dos Sinos

Sem água não é possível a vida. Desde tempos imemóriais o Homem buscou a proximidade da água afim de garantir sua sobrevivência. Os vales de rios abrigaram as maiores civilizações conhecidas. Nosso antepassados não fugiram a esta predestinação histórica e vieram construir suas vidas à margem do Rio dos Sinos. Conhecê-lo é conhecer uma bela página de nossa cultura. Neste sentido a primeira preocupação que salta aos olhos das mentes mais curiosas é a origem da denominação. Nesta busca encontramos uma série de denominações defendidas por este ou áquele historiador. Uma delas é a denominação de Cururuaí, encontrada em antigos documentos significando Rio dos Ratões do Banhado. Os indígenas sempre denominam os acidentes geográficos reunindo vários substantivos próprios que façam referência às caracteristicas locais(como na língua alemã). Neste caso o nome viria de Cururuá(ratão do banhado) e I(água ou rio). Todavia há dúvidas se está designação refere-se ao atual rio dos Sinos ou ao rio Caí ou ainda os próprios banhados da região uma vez que na época nosso vale não era muito explorado. Uma outra denominação é Itapuí usada em vários livros mais recentes indistintamente com o nome Sinos. Quanto a este nome há duas versões quanto ao significado do termo. A primeira seria Rio das Pedras delgadas de Itapu(pedra delgada) e I(água ou rio). Seria possivelmente uma referência às rochas areníticas(as lages de calçada) que abundam na nossa região. Outra tradução seria o rio de som de sino. Expressão derivada de Ita(pedra, metal), pu(som, barulho) e I(água). Seria uma tradução literal do nome atual, todavia, ressalte-se que os índios não conheciam o sino. Daí esta denominação soar estranha. Neste caso há uma possibilidade do nome derivar do grito dos ratões do banhado em suas tocas subterrâneas o qual sugeriria aos indígenas tratar-se do grito das pedras. Daí Itapuí seria o rio das pedras que gritam. Independente do significado as duas designações indígenas comporiam um grupo mais harmonioso, melodioso e significativo com as denominações dos demais rios do delta do Guaíba(o encontro das águas em Tupí-guarani); Taquari(rio das taquaras), Cai(rio das Matas); Jacuí(O rio dos jacús) e Gravataí(O rio dos gravatás).

Já a denominação Sinos aparece em vários documentos. A  respeito de sua origem contam várias histórias. Uma diz que no rio foram encontrados vários sinos. Outra conta que estes sinos seriam parte de imensas riquezas lançadas ao rio pelos Jesuítas fugidos das missões guaranís que até hoje tocam para lembrar o crime cometido por portugueses e espanhóis. Há igualmente a possibilidade do nome ter derivado da palavra Sinus(Em latim seio, enseada ou sinuoso) numa referência as muitas curvas do rio que por ventura tivessem chamado a atenção dos cartográgos antigos que ignorassem outras denominações indígenas. Explicaçào que é a mais provável.

Independente da denominação que dermos o fato é que o rio existe e tem sido um importante fator de agregação e identidade da nossa região. Conhecer a história do seu nome é aumentar um pouco mais nosso respeito e carinho por ele. E isto é fundamental num processo de recuperação de suas águas. Sem identidade e ligação afetiva com o povo que o cercar um rio não tem chances de manter a qualidade de suas águas.

Arno Kayser Agônomo, Ecologista e Escritor

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Comentários

  • Gilberto José Girardi Karnas  On 18/08/2015 at 21:31

    Os indios conheciam o sino, como também, pela primeira vez o metal fundido na America pelos nativos, sob orientação Jesuita. Ensinaram em latin, e muitos termos “gaudérios” são herança dessa lingua. Vi referencia que (não reencontrei) na colonização da região a montante igrejas demarcaram a ocupação e pelos sinos eram localizadas as comunas.

    • arnokayser  On 18/08/2015 at 22:37

      Caro Gilberto!
      Grato pelo contato e visita!
      Você tem razão quanto ao fato de os índios catequisados pelos jesuítas terem conhecido o sino. Mas as denominações topográficas com palavras de origem indigena são anteriores a este período da nossa história. Neste tempo pré colombo eles não conheciam o sino ainda, mas já conheciam o ratão do banhado e seus gritos noturnos. Por isto a minha afirmação no texto.
      Abraço

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